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olhos que lêem

vou deixar-te acreditar que decifraste o meu olhar, com a certeza que de mim não sabes mais nada.

Miguel Torga continua vivo na sua poesia

17.01.21 | olhosqueleem

Torga.jpg

Aproxima-se o fim.
E tenho pena de acabar assim,
Em vez de natureza consumada,
Ruína humana.
Inválido de corpo
E tolhido da alma. Morto em todos os órgãos e sentidos.
Longo foi o caminho e desmedidos
Os sonhos que nele tive.
Mas ninguém vive
Contra as leis do destino.
E o destino não quis Que eu me cumprisse como porfiei,
E caísse de pé, num desafio.
Rio feliz a ir de encontro ao mar
Desaguar,
E, em largo oceano, eternizar
O seu esplendor torrencial de rio».
 
Miguel Torga deixou-nos em 17 de Janeiro de 1995.

2 comentários

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    olhosqueleem

    17.01.21

    `Que inveja [saudável] tenho de ti concha.

    Adorava ter conhecido Torga. E poder conversar com ele... a par com Eugénio de Andrade são os poetas que me enchem a alma.

    Beijinhos

    Ana

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