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olhos que lêem

vou deixar-te acreditar que decifraste o meu olhar, com a certeza que de mim não sabes mais nada.

Miguel Torga continua vivo na sua poesia

17.01.21 | olhosqueleem

Torga.jpg

Aproxima-se o fim.
E tenho pena de acabar assim,
Em vez de natureza consumada,
Ruína humana.
Inválido de corpo
E tolhido da alma. Morto em todos os órgãos e sentidos.
Longo foi o caminho e desmedidos
Os sonhos que nele tive.
Mas ninguém vive
Contra as leis do destino.
E o destino não quis Que eu me cumprisse como porfiei,
E caísse de pé, num desafio.
Rio feliz a ir de encontro ao mar
Desaguar,
E, em largo oceano, eternizar
O seu esplendor torrencial de rio».
 
Miguel Torga deixou-nos em 17 de Janeiro de 1995.

4 comentários

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    olhosqueleem

    17.01.21

    `Que inveja [saudável] tenho de ti concha.

    Adorava ter conhecido Torga. E poder conversar com ele... a par com Eugénio de Andrade são os poetas que me enchem a alma.

    Beijinhos

    Ana

  • Imagem de perfil

    concha

    17.01.21

    Gosto muito de Torga... mas o Adolfo Rocha, médico, era um homem sisudo que só falava o indispensável. Mal me lembro. A minha mãe, que me levava às consultas dizia mais tarde, quando falávamos disso, que se notava bem que tinha crescido num meio duríssimo.
    Beijinhos!
  • Imagem de perfil

    olhosqueleem

    17.01.21

    Sim, é verdade concha a vida dele foi de uma dureza incrível.
    Há um colega que tem um blog, não sei se conheces o Etan Cohen, por quem tenho imenso carinho que me baptizou como "senhora das serras" por causa de um texto do blogue.
    Mal ele sabe que eu adorei o nome....lembrei-me de Miguel Torga...
    As minhas serras hoje estão despidas de vegetação, por causa dos incêndios.

    Engraçado se és de Coimbra, cidade que infelizmente conheço bem (por causa do Hospital da Univ.) eu nasci a 70 km de Coimbra mais para o interior. Geograficamente pertenço ao distrito de C.Branco que fica `a mesma distância Km.

    Estas palavras serviram para te dizer que as nossas vidas, sem nos conhecermos por vezes estão tão próximas... Abandonei temporariamente as minhas serras por Lisboa.
    Mas é lá que encontro a minha paz...

    Um excelente fim de semana.
    Obrigada pela delicadeza de me leres.

    Ana

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